Uma das doenças crônicas mais comuns na idade adulta. O que define seu diagnóstico é um aumento persistente nos níveis de pressão maior ou igual a 140 e/ou 90 mmHg (“14 por 9”) em pelos menos 2 medidas em dias diferentes.

A Pressão Alta, se não adequadamente tratada ao longo dos anos, pode acarretar diversas complicações. Por exemplo, no Brasil ela é responsável por 45% das mortes envolvendo o coração e 51% das mortes decorrentes de derrame (AVC). (1)

É a causa líder de insuficiência renal terminal, quando os rins deixam de filtrar de forma satisfatória o sangue de suas impurezas, havendo necessidade de hemodiálise.

Quando não adequadamente tratada, sobretudo se associada a maus hábitos de vida como sedentarismo e tabagismo, pode levar a alterações cerebrais – microangiopatia cerebral – que são lesões de pequenos vasos sanguíneos que prejudicam a nutrição e oxigenação do tecido cerebral levando a microinfartos, os quais se evoluírem, podem causar problemas de memória e linguagem e, em casos mais graves, até mesmo demências.

Também é frequente a associação entre Diabetes e Pressão Alta e quando esta ocorre os efeitos danosos destas doenças são aumentados. Portanto, é ainda mais importante um bom controle de ambas as condições, além dos fatores de risco associados (por exemplo, colesterol alto, tabagismo).

Infelizmente é comum casos de pacientes com mau controle da Pressão Alta ou com tratamento inadequado. Isto aumenta o risco de complicações, algumas delas irreversíveis.

Também se deve levar em conta no tratamento a condição clínica e idade do paciente. As metas de tratamento não podem ser a mesma para um paciente de 40 e para outro de 80 anos. A conduta deve ser individualizada. O próprio excesso de tratamento pode ser danoso. Por exemplo, em um paciente idoso, se baixarmos muito a pressão podemos causar tontura, mal-estar ou tendência a quedas.

Alguns medicamentos podem causar efeitos colaterais bastante comuns que o médico deve conhecer bem para saber trocar caso o paciente apresente-os.

E finalmente, nem sempre é preciso receitar um medicamento caro para que o paciente atinja um bom controle de sua pressão. O médico precisa levar isto em conta na hora de prescrever. Não adianta um diagnóstico correto e uma conduta adequada, se a escolha dos medicamentos está além do que o paciente poderá comprar todos os meses, haja vista que Pressão Alta é uma doença de tratamento contínuo e o paciente muitas vezes faz uso de outras medicações também.

(1) (Referência: 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – Arq Bras Cardiol 2016; 107(3Supl.3):1-83

Dr. José Luís Verbiski – CRM-PR 27103 RQE 20778
Especialista em Medicina da Família e Comunidade
Clínico Geral